19 Março, 2020
A importância de termos um Serviço Nacional de Saúde, património de todos, para combate à pandemia.

 

A pandemia de COVID-19, os cidadãos e o Serviço Nacional de Saúde

 

Felizmente temos um Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal. Sendo património de todos, o SNS é, mais uma vez, o garante do acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde necessários, nesta crise, sem olhar à sua condição social ou económica.

Mas o SNS, ainda que estivesse nas melhores condições possíveis, que infelizmente não é o caso, seria sempre insuficiente para responder sozinho a esta silenciosa e devastadora ameaça. Prevenir, conter e controlar a insidiosa e acelerada propagação do vírus nas nossas comunidades é uma tarefa de TODOS e de cada um, sem exceção. Que cada um faça a sua parte, com determinação, serenidade e rigor.

A Fundação para a Saúde SNS (FSNS) apela a que todos confiem e cumpram, escrupulosamente as indicações das Autoridades de Saúde e do Governo. Que se mantenham atentos, informados, ativos e solidários. Que utilizem os canais locais e gerais de comunicação com essas autoridades. Que evitem o queixume e alarmismos inconsequentes, sem deixar de identificar e de informar sobre insuficiências e pontos críticos para que as entidades responsáveis procedam à sua correção. Que utilizem canais de comunicação como o MySNS e o site da Direção-geral da Saúde.

O SNS foi alvo, durante demasiados anos, de restrições financeiras com graves danos para o seu funcionamento, com perda e desmotivação dos seus profissionais, com degradação dos seus equipamentos. A recuperação do investimento deu alguns passos nos últimos anos, mas há um longo caminho a percorrer para reparar os danos infligidos e reorganizar e relançar o SNS.

Atualmente, a rede de Saúde Pública e as suas equipas, fragilizadas ao longo de três décadas, estão a dar respostas notáveis, superando fragilidades estruturais e de recursos. Os profissionais de saúde nos hospitais, nos centros de saúde e suas unidades, nas farmácias e em outros serviços, estão na primeira linha do combate à pandemia. Servem a população e os doentes com grande esforço e dedicação. Assumem riscos inerentes ao exercício das suas profissões, mas não é admissível que corram riscos desnecessários. Merecem atenção, apoio, meios técnicos e organização adequada para uma ação eficaz, com a proteção indispensável.

A experiência desta crise evidencia que as estruturas de proximidade são decisivas para a implementar medidas que a todos dizem respeito. Por isso apela-se a que sejam tidas em conta as medidas que a FSNS tem proposto para reorganizar e reforçar o SNS e assegurar-lhe um  financiamento adequado. Um SNS mais próximo dos cidadãos, nas suas comunidades, que responda aos novos desafios da Saúde e ás necessidades da população. Que seja capaz de garantir integração de cuidados centrados efetivamente em cada pessoa, com maior colaboração interprofissional. Que garanta a formação e a motivação dos seus profissionais a todos os níveis, e maior autonomia de gestão.

Estamos, ainda, perante uma oportunidade para operacionalizar de modo responsável, sensato e inteligente a cooperação solidária entre os setores público, social e privado.

Juntos superaremos esta crise e garantiremos um SNS ainda melhor – coração propulsor e estruturante de um sistema de saúde melhor regulado e mais eficiente, onde todos podem e devem desempenhar o seu papel visando o bem comum.

 

Pelo Conselho de Administração da FSNS
José Aranda da Silva (Farmacêutico)
Maria Augusta Sousa (Enfermeira)
Victor Ramos (Médico)